VACINAÇÃO EM ADULTOS: ESPALHANDO A INFORMAÇÃO

Calendário vacinal de adultos:

hepatite B: 0, 30 e 180 dias

dT (difteria e tétano, tipo adulto): 0, 30 e 180 dias, reforço a cada 10 anos

febre amarela: 1 dose em não vacinados, reforço a cada 10 anos

SRC, tríplice viral ou MMR (sarampo, rubéola e caxumba): 0 e 30 dias

antipneumocócica: dose única

antirrábica profilática pré-exposição: 0, 7 e 28 dias (após, realização de sorologia para verificar a correta imunização e a necessidade de dose extra – realizar a sorologia a cada 6 meses, para pessoas com exposição intensa, e uma vez por ano, para exposições eventuais)

*antirrábica pós-exposição: buscar atendimento médico imediato, para avaliação e escolha da conduta médica mais adequada

 

Vacina é coisa de criança. É? Na verdade, não. Adultos também precisam de vacinas. E adultos como nós, que possuem um contato mais próximo com a natureza, seja em campo ou em laboratórios, precisam de uma atenção a mais nesse quesito.

Vamos por partes.

O que é a vacina? Vacina é uma suspensão produzida a partir de microrganismos, introduzida no organismo humano (ou animal) com o intuito de provocar a formação de anticorpos contra determinado agente infectante. Ou seja: o corpo é enganado para achar que está doente e produzir anticorpos que ficarão na memória (imunológica), para quando você realmente for exposto à doença, poder combater imediatamente.

Por que é importante criar essa imunidade antecipada ao invés de apenas tratar a doença, se porventura eu venha a contrair? Essas são doenças que possuem sintomas muito agressivos e podem deixar sequelas irreversíveis e muito graves. Por exemplo: o tétano pode causar paralisia dos músculos reto-abdominais e do diafragma, levando à insuficiência respiratória; e raiva não possui tratamento específico, sendo fatal em praticamente todos os casos, deixando sequelas gravíssimas e irreversíveis nos sobreviventes.

Quando eu devo me vacinar? O mais rápido possível! Todos estamos sujeitos a sofrer acidentes que nos exponham aos agentes infectantes dessas doenças. Quem nunca se cortou em algum objeto sujo ou enferrujado? O perigo está mais perto do que queremos acreditar. E profissionais da biologia ou da veterinária e seus colaboradores, que atuam em campo ou com material biológico em laboratório, se encontram no grupo de risco para essas doenças, ou seja, pessoas que são mais propensas a contrai-las.

Onde eu posso me vacinar? As vacinas estão disponíveis pelo sistema público de saúde, nos postos de saúde, e também nas clínicas de vacinação particulares, assim como os exames de sorologia para comprovação da correta imunização contra a raiva.

Ainda resta alguma dúvida? Os médicos infectologistas são os especialistas nessa área. Marque uma consulta e esclareça todas as questões que ainda estão impedindo que você esteja protegido enquanto realiza seu trabalho!

 

Os vilões desmascarados

Hepatite B: a maioria dos casos não apresenta sintomas, mas quando ocorrem, são cansaço, tontura, enjoo, vômitos, febre, dor abdominal, pele e olhos amarelados, urina escura e fezes claras. A transmissão ocorre através de objetos contaminados com sangue infectado, relações sexuais sem camisinha com parceiros infectados, transfusão de sangue infectado e de mãe infectada para filho durante a gestação, parto ou amamentação.

Difteria: causa lesões inflamatórias branco-acinzentadas, principalmente em amigdalas, laringe e nariz. Os sintomas são febre, cansaço, palidez, discreta dor de garganta e, nos casos mais graves, edema intenso no pescoço, aumento de gânglios linfáticos na região, até asfixia mecânica aguda pela obstrução causada pela placa das lesões. É transmitida por contato direto com doentes ou portadores assintomáticos (que não manifestam a doença), através de secreções nasais; e por contato indireto através de objetos contaminados recentemente pelas secreções da orofaringe ou de outras lesões.

Tétano: se manifesta por aumento da tensão muscular geral. Quando os músculos do pescoço são atingidos, há dificuldade de deglutição. Pode apresentar contratura muscular generalizada e rigidez muscular progressiva, evoluindo para insuficiência respiratória. A transmissão ocorre através de ferimentos externos causados por objetos contaminados com terra, poeira e fezes de animais ou humanas. Queimaduras e tecidos necrosados também são uma porta de entrada para a doença.

Febre amarela: as primeiras manifestações são repentinas, caracterizadas por febre alta, calafrios, cansaço, dor de cabeça, dor muscular, náuseas e vômitos por cerca de três dias. A forma grave da doença costuma aparecer após um breve período de bem-estar (até dois dias), quando pode ocorrer insuficiência hepática e renal, olhos e pele amarelados, manifestações hemorrágicas e cansaço intenso. A transmissão ocorre através da picada do mosquito Haemagogus (ciclo silvestre) e Aedes aegypti (ciclo urbano). Uma pessoa não transmite a doença diretamente para outra, mas pode se tornar fonte de infecção para os mosquitos.

Sarampo: os sintomas iniciais são febre acompanhada de tosse persistente, irritação ocular e corrimento nasal, seguidos do aparecimento de manchas avermelhadas no rosto, que progridem em direção aos pés (duração mínima de três dias). Também pode haver infecção nos ouvidos, pneumonia, ataques (convulsões e olhar fixo), lesão cerebral e morte. Posteriormente, pode ocorrer infecção das vias respiratórias e do encéfalo e diarreia. A transmissão ocorre de maneira direta, através de tosse, espirros, fala ou respiração de pessoas contaminadas.

Rubéola: os primeiros sinais característicos são febre baixa, surgimento de gânglios linfáticos e de manchas rosadas, que se espalham primeiro pelo rosto e depois pelo resto do corpo, além de dores de garganta e de cabeça. É transmitida através da emissão de gotículas das secreções respiratórias dos doentes.

Caxumba: os primeiros sintomas são febre, calafrios, dores de cabeça, musculares e  ao mastigar e engolir, além de fraqueza. Uma das principais características é o aumento das glândulas salivares, que fazem o rosto inchar. Pode causar surdez, meningite e até a morte. É transmitida através do contato com gotículas de saliva de pessoas contaminadas.

Doença pneumocócica: pode causar pneumonias bacterêmicas ou não, meningite, sepse, artrite, sinusite, otite média aguda, conjuntivite e bronquite. É transmitida através de gotículas de saliva ou muco de pessoas infectadas, que podem ser assintomáticas.

Raiva: os sintomas são bastante diversos, incluindo hidrofobia e aerofobia, parestesia (sensações anormais sobre a pele), paresia (paralisia parcial), paralisia, síndrome Guillain-Barré (doença autoimune que ataca o sistema nervoso), entre outros. É transmitida através do contato com a saliva (mordedura) de pessoas ou animais contaminados.

 

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Texto e Revisão: Daniela Hänggi
Médica Veterinária pela Faculdade Evangélica do Paraná – FEPAR
Colaboradora da ONG Instituto Boitatá

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