O VENENO DO NÃO SABER

Todos sabem que o tráfico de animais silvestres é um grande problema que precisa ser combatido, não é mesmo? Mas vocês já pararam para pensar em quais são os animais vítimas desse crime? Com certeza veio uma grande lista à mente. Agora, vamos focar em uma espécie (que, aposto, não estava na lista da grande maioria): a corn snake, ou cobra-do-milho.

 

Isso mesmo! Aquela cobrinha que muita gente tem em casa, ou conhece alguém que tem, ou que vende, ou que pelo menos já viu em alguma rede social. Sim, pasmem, é um animal exótico e por isso é proibida sua comercialização, criação e posse pelo IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis).

Além da questão da introdução de uma espécie exótica no meio ambiente brasileiro (a corn snake é originária da América do Norte), o que causa um grande desequilíbrio de predação (pois os animais irão predar espécies nativas, mas não terão um predador natural para equilibrar a reprodução), existe a (terrível) questão das condições a que os animais traficados são submetidos. Muitos dos indivíduos sequer chegam vivos ao destino, pois são transportados em malas, caixas, sacos, enfim, recipientes completamente inadequados para a saúde e bem estar, além de não receberem alimentação e manejo adequados.

Agora que já sabemos sobre a ilegalidade da criação, comércio e posse da corn snake, cabe a nós tomarmos uma posição para acabar com esse crime. Além das denúncias anônimas que podem ser feitas ao IBAMA (serviço Linha Verde do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis, pelo telefone 0800-61-8080 ou pelo e-mail linhaverde.sede@ibama.gov.br), também devemos levar essa informação ao maior número de pessoas possível. Se a grande questão para que a corn snake fosse tratada como pet era a falta de conhecimento sobre a ilegalidade da situação, não devemos permitir a continuidade desse erro. De agora em diante, com o compartilhamento da informação, qualquer atividade envolvendo animais exóticos é um crime e, como tal, deve ser punido.

E então, gostou do artigo? Deixe a sua opinião nos comentários e ajude a espalhar a informação!

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Texto: Daniela Hänggi
Médica Veterinária pela Faculdade Evangélica do Paraná – FEPAR
Colaboradora da ONG Instituto Boitatá

Revisão: Ibere Machado (currículo lattes)
Doutor em Biologia pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos – UNISINOS
Presidente da ONG Instituto Boitatá

Fotos: Gabriel J. Cohen

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